A prática, o não-apego e o discernimento

 

Yoga é o caminho para aquietar e acalmar a mente. Quando a mente está controlada, descansamos na paz eterna da nossa essência, afirma o sábio Patanjali, autor dos Yoga Sutras. Na segunda frase do primeiro capítulo desta obra, Patanjali descreve a meta do Yoga: “chita vrtti nirodhah”. Isso pode ser traduzido como o controle (nirodhah) das flutuações (vrtti) mentais (chita).

 

Mas como controlar a mente? Esse é o nosso trabalho! Vamos estudar e praticar muito. Viver a cada momento a nossa prática de yoga. Vigiar os nossos pensamentos, cuidar para que a nossa fala seja sempre verdadeira e amorosa, agir com consciência e compaixão. Desapegar do passado e do futuro e estar PRESENTES. Porque, no final das contas, o que mais temos se não o momento presente?

 

No sexto capítulo do Bhagavad Gita, famosa escritura hindu, o príncipe Arjuna pergunta incrédulo a seu guia, Sri Krishna, como é possível aquietar a mente e entrar em comunhão com o Espirito Universal. Krishna replica:

 

“Sem dúvida, a mente é incansável e difícil de controlar. Mas pode ser treinada pela prática constante (abhyasa) e pela liberdade do desejo (vairagya). Um homem incapaz de controlar sua mente achará difícil atingir essa comunhão com o divino; mas o homem que se controla pode atingi-la se esforçar-se e dirigir sua energia pelos meios adequados”.

 

A prática nos leva na direção certa e o não-apego permite que continuemos o caminho interior sem nos desviarmos por causa das dores e dos prazeres encontrados ao longo do caminho. 

 

Patanjali também explica que a prática e o não-apego são os dois princípios centrais sobre os quais o sistema inteiro do Yoga se apoia. Abhyasa (prática) significa ter uma atitude de esforço persistente para alcançar e manter um estado de tranquilidade estável (Yoga Sutras, 1.13). Para ficarmos estáveis, este esforço deve ser feito por um longo período de tempo e sem interrupção! E com o vairagya, aprendemos a deixar de lado os apegos, aversões, medos e falsas identidades que atrapalham o conhecimento do Eu verdadeiro.

 

Para conseguir fazer esta prática e desenvolver o não-apego, Patanjali diz que é necessário ficar cada vez melhor em discriminar quais pensamentos, palavras e ações nos levam na direção correta e quais são distrações (Yoga Sutras, 2.26-29). O discernimento (viveka) é uma prática fundamental para a jornada interior. Se não tiver discernimento, a mente permanece incontrolável! E daí não se conhece o Eu verdadeiro, a paz e a plenitude. 

 

Por isso, vigiar-se a cada momento. Praticar, praticar, praticar! E levar a prática do tapetinho de Yoga para a vida diária.

 

Viver a tua verdade, com discernimento.

 

* Arianna Romairone escreve também em seu blog http://yogaceic.blogspot.com.br

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