"A ideia de Eu ou egoísmo é a semente da árvore da mente"

11/11/2015

 

Li essa frase em um texto sobre yoga e achei fascinante, pois ela diz muitas coisas e nos explica a função da mente, que como tudo nesse mundo tem dois lados que se contrapõem e buscam o equilíbrio. 

 

Assim que nascemos, ou mesmo antes, a primeira noção que temos do eu é um nome. Nossos pais decidem como vamos nos chamar pois assim teremos já uma marca com muitos significados. Seremos individualizados. 

 

Mas quando o bebê nasce ele não se sente tão diferente da mãe e nem a mãe do bebê. Esse processo de separação toma um certo tempo, tanto de maturação neurológica do bebê e também emocional da mãe, principalmente das emoções e conteúdos inconscientes dela. Nos primeiros meses o bebê e a mãe são como um, o que chamamos simbiose. A mente da mãe é um ego acessório, pois o bebê não sabe o que está acontecendo com ele, não pode compreender e a mãe interpreta os choros e movimentos que ele faz dando sentido e significado aos seus comportamentos.

 

Com o tempo mãe e bebê, numa relação saudável, vão se separando. Cortando simbolicamente o cordão umbilical. É emocional. O bebê confia mais em si porque tem o amor incondicional da mãe e se sente um indivíduo, com seus desejos e aversões que começam a criar o ego. O ego não é necessariamente algo destrutivo. Ele é o que nos diferencia do mundo e nos da identidade, partindo do amor. 

 

Ele pauta a relação com o mundo. Através da brincadeira a criança projeta no mundo externo seus desejos inconscientes e pode elabora-los. Depois essa brincadeira é o início da relação que o adulto tem com os outros e com o mundo. Mas a mente continua funcionando da mesma forma, projetando o inconsciente para fora tentando elaborar. 

 

O problema é quando confundimos essa projeção com o objeto no qual projetamos. A criança percebe que os bonecos com os quais ela brinca são na verdade inanimados mas com a imaginação e usando a projeção eles ganham vida durante o brincar. Ela joga neles sua raiva, seus medos, suas questões. Depois jogamos nos objetos tudo isso, mas começamos a confundi-los com as projeções. O ego vai se tornando tão mais forte que perde apenas seu lado de individualização como forma de ter uma identidade e chega e se pautar em desejos e versões e projeções no mundo externo, criando com a intelectualização uma barreira entre ele e o inconsciente. 

 

Ou seja, negamos o inconsciente e jogamos esses conteúdos no outro e nos objetos. E aí como não reconhecemos que isto são projeções de nós mesmos vamos cada vez mais nos interiorizando de forma egoísta, sem ver o outro como ele é, nem nos vemos como somos. Aí o que chamo de mente pode ser essa capa, essa cobertura que é o intelecto, que por causa da educação e dos valores sociais serve como uma ferramenta para nos afastar de nós mesmo, não criando a busca de conhecimento como forma de auto conhecimento e sabedoria.

 

É esse amor incondicional que a mãe dá ao bebê que é a semente do ego. O ego que se separa aos poucos do eu real  por meio do intelecto, que serve como defesa contra conteúdos inconscientes e os projeta no outro, causando a ilusão de que o outro é separado do eu. O ego no início ajuda na relação entre o inconsciente e o mundo, ele é a mente, uma ferramenta. Mas acaba se tornando mais forte e a mente nos usa. A mente pode ser usada ou te usar. No caso somos usados pela mente satisfazendo seus desejos e aversões. 

 

Mas entre em contato com ela e com o inconsciente e descubra que você é amor incondicional, e que os objetos e pessoas são o que são independente de suas preções sobre eles. E a mente vira sua ferramenta para esse estudo de si mesmo. E do mundo. 

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